Sandra Filardi

Artista brasileira, nascida em Belo Horizonte, formada em Engenharia Civil, Arquitetura e Urbanismo.

Na pintura, encontrei uma linguagem para estabelecer meus diálogos com a vida, a natureza e o tempo.

Na pintura, através do que vejo, vou elaborando a natureza em mim.

Minha obra nasce de um olhar atento à impermanência: o instante que se apresenta e, no momento seguinte, já se transforma.

Não capturo como quem tenta reter. Observo.

Não posso compreendê-los, mas posso senti-los.

A minha pintura começa quase sempre com aguadas de aquarela. Estabeleço com a água uma parceria diante de caminhos que não controlo. Deixo que ela siga seu fluxo, observo as manchas e acolho as formas que começam a surgir.

Cor, transparência, textura e matéria vão compondo a tela. Elementos como folha de ouro, papéis, linhas e outras texturas encontram seu lugar nesse percurso.

O acaso também participa.
O silêncio também tem seu espaço.

As formas dançam, flutuam, pousam e acontecem. A imagem inicialmente observada se transforma em outra linguagem — poesia, ritmo, cor, textura e silêncio.

CANÇÕES SEM PALAVRAS

Na natureza, encontro matérias que despertam canções. Na pintura, essas canções se manifestam em formas, e na perfumaria transformam-se em aromas.

Aquilo que é matéria pode tornar-se imaterial. Uma imagem pode tornar-se sensação; uma matéria-prima pode tornar-se memória.

Tudo viaja em mim. Faz travessia em mim e me transforma.

Minha trajetória artística inclui exposições e participações no Brasil e no exterior, entre elas o Carrousel du Louvre, em Paris, a Biennale Internazionale d'Arte di Bari, na Itália, além de mostras em Portugal, França, Itália, Espanha e Alemanha. Entre premiações, destaca-se a medalha de ouro do Art to the World, em Porto, Portugal, além de obras premiadas em salões brasileiros.

Hoje, pintura e perfumaria caminham como diferentes linguagens de uma mesma busca.

Continuo sendo eu mesma, mas de outra maneira, porque aquilo que me encontrou também me transformou.

Não sei o que encontrarei do outro lado desta ponte, que liga aquilo que encontro ao que vem ao meu encontro nesta travessia.